terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pra que tanta filosofia?


Nessa última Bienal adquiri os 16 exemplares (os publicados no Brasil) da série em quadrinhos "Os Invisíveis" de Grant Morrison, publicados em meados da década de 90. O Grant Morrison que processou os criadores de Matrix, 99, por plagiar a idéia das páginas da HQ. As "semelhanças" são muitas, a começar pela tal filosofia de que estamos em um mundo manipulado por um sistema e que devemos nos libertar do mesmo. Bem, minha opinião sobre a série, mesmo que ainda vaga por não ter acesso á obra completa, é de algo muito bem narrado e de uma atmosfera muito interessante, porém (sempre os poréns!), não é exactamente sobre a série de quadrinhos, mas sobre a conclusão que ela me levou (junto a dois outros amigos em um domingo na praia). Essa necessidade de colocar filosofia em tudo é um tanto quanto equivocada. As vezes queremos apenas ler um quadrinho, queremos curtir o momento sem se preocupar em ler com extrema cautela e ter as referências necessárias para absorver certa idéia, as vezes queremos ler um quadrinho de super-herói, ou uma tirinha do Calvin e Haroldo ou do Snoopy. As vezes queremos ver um filme só por assistir um filme, uma comédia qualquer, um bom filme de terror. Claro que eu acho importante absorver um pouco de cultura as vezes, e também não digo que seja impossível se divertir com isso, Watchman é um exemplo disso, mas essa necessidade de buscar a toda hora se cercar por essa filosofia de bolso, de momento, é muito vaga. Não precisamos de filosofia em tudo, de ver filosofia em tudo. Imaginem só o quanto tedioso seria a vida se parássemos para filosofar sobre cada momento, e quanto dolorosa também. Estamos aqui, creio eu, para aprender até certo ponto, o ponto em que não amarguemos nossos dias com pensamentos sobre existência e morte. Um amigo uma vez me disse que ser inteligente demais é ser solitário, que se sentir melhor que os outros ou ser melhor que outros com quem convive o impossibilita de aprender mais. A questão é, pra que tanta filosofia? Não precisamos de toda essa filosofia, 24 horas por dia. Precisamos dela sim, para escrever cartas ou textos, para puxar boas conversas ou para se expressar melhor. Não muito mais que isso.

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