
Em meio a um amontoado de pessoas no último andar do Botafogo Praia Shopping assisti ao show realizado pela Mpb FM do grande nome do grupo "Novos Baianos", Moraes Moreira, e o melhor, de graça! Apesar de ser sempre apontado como programa de suburbano ir a qualquer coisa só pelo fato de ser de graça eu realmente aprecio a música de Moraes, principalmente pelo álbum dos Novos Baianos, "Acabou Chorare", um dos melhores da música popular brasileira, fora que me serviu de saudosismo ver Moraes, já que em 2001, com 11 anos, assisti ao mesmo em seu trio-elétrico no Rock in Rio. Havia um engraçadinho fazendo uma filmagem que pretendia enviar para a equipe do Pânico! Na Tv, parece que o grande Moraes voltou a estar na moda ... uma coisa engraçada também era o coro afinadíssimo do povo da zona sul, não sei por que, mas as pessoas na zona sul são mais afinadas, apesar de que nas palmas mostraram total falta de ritmo, talvez ai nós nos damos melhor. No geral foi um ótimo show, Moraes tem uma habilidade incrível com o violão, ficou devendo certas músicas, mas não se esqueceu de "preta pretinha" é claro, entoada por todos. Destaque para a história da parceria dos Novos baianos com o João Gilberto, essa eu já conhecia e percebi que ele omitiu a parte que se taratava da plantação de maconha, como era de se esperar ... na ocasião, João Gilberto aparece na fazenda dos Novos Baianos, sem avisar a ninguém para evitar alvoroço, aparece tão bem arrumado que pensam se tratar da polícia e queimam os pés de maconha, até descobrirem que era João Gilberto na verdade, coisas engraçadas dessa fase tão rica e diversificada da música popular brasileira, onde dois estilos diferentes podem fazer, na mesma época, dois dos melhores álbuns da nossa música. Na verdade não foi desde sempre que curti música popular brasileira, como meu amigo Gabriel criado nesse meio e ainda por cima baiano, a um tempo, antes de começar a gostar de verdade e acompanhar a MPB escrevi uma crônica sobre essa falta da música brasileira na vida de certos jovens da década de 90, principalmente nas grandes cidades, Rio e São Paulo. E é com ela que finalizo o texto de hoje, uma boa noite e escutem "Novos Baianos - Acabou Chorare" e também "Chega de Saudade" do João Gilberto, por que não, afinal é com a música tema desse CD que Moraes encerrou o show de hoje, que beleza esse meu país.
BRASILERÔ
Eu sou o que faço. Eu sou o que fui e mais um pouco, e assim vou sendo. Sou coisa criada e de forma mudada. Sou o que aprendi, o que não aprendi e o que quero aprender. O plano real é um dia descobrir uma ordem ao certo e seguir até o sempre, até falecerem-me. Não há a possibilidade de me aposentar de mim mesmo. A questão da vez está, de uma forma absurda, apontando seu dedo e dizendo o que somos e como deveríamos ser, o que não somos e o que não deveríamos fazer.
Eu tinhas um certo amigo, e creio que isso seja compreendido aqui que a amizade é a nossa verdadeira base. E esse certo amigo achava que tinha problemas musicais, e isso era, claramente, um absurdo. Eram certas pessoas que diziam a ele, pessoas de maior certeza de estima, que ele pouco sabia do que realmente importava. Assim ele era subjugado, era desafiado, era rebaixado. Gritavam os outros: "Você é americanizado!" "pouco samba tem no pé e o funk não respeita!", e ele sempre sem resposta, na verdade sua resposta era, sempre acuado, tentar saber mais, sobre mais coisas, mas mesmo assim, pouco era o que sabia para os outros. Ele era um garoto de 90, e isso significava, dependendo de onde foi criado, que ele estava preso em um tubo de enlatados, seus pais eram jovens de 80. Foi por ai que adotaram essas crianças de fora, esses novos tons, essa importação. Eram seus saberes sobre nação própria que ele buscava em recuperar falso tempo perdido. Por fim ele desistiu, pouco falava, cabeça baixa, olhos meio cerrados para a cultura que ele próprio carregava. Seus "amigos", dele lembravam nas tiradas necessárias de humor agressivo, e ele pouco se importava.
Minha pergunta e questão é o que nos torna brasileiros? Nós que nem daqui nem estrangeiros? É quem que nos vai julgar, nos dizer a verdade? Se fui criado americanizado, assim como muitos outros, não seria essa uma cultura mais que brasileira? Quero que parem de nos falar o que somos, o que não somos, dizer o que me torna brasileiro e o que devo fazer. Não levo em consideração a opinião qualquer, quero a minha opinião, meu julgamento crítico de quem realmente interessa. Não digam o que sou, sou coisa criada, é isso que me importa, o resto, aos poucos vou mudando, me abrasileirando.