terça-feira, 6 de outubro de 2009

Festival do Rio: Sede de Sangue

Me lembro de quando vi "Old Boy" e da minha reação diante de um filme coreano que era simplesmente avassalador. Quem não viu a pérola ainda, corra, não sabe o que está perdendo. A expectativa com o próximo longa de Chan-Wook Park era inevitável, e como todos sabem, a expectativa afeta um bom espectador, e hoje lhes falo como espectador. Bem, nesse caso, Park dá um drible e tanto nas expectativas, seu novo longa é diferente do que alguém poderia esperar, mesmo cercado por todo seu estilo, e isso não é uma má notícia, pelo contrário, em "Sede de Sangue", Chan-Wook Park afirma seu cinema e cumpre a promessa de "Old Boy".

Na trama um padre (Kang-Ho Song) se oferece de cobaia para experimento científico e em uma transfusão de sangue acaba falecendo e voltando a vida logo em seguida. Tido como santo quando retorna a seu país o padre começa a sofrer mudanças significativas, logo descobre que é um vampiro e que precisa se alimentar de sangue para não morrer. Consegue seguir uma rotina pacífica bebendo o sangue dos pacientes em coma do hospital onde trabalha, as coisas começam a tomar outro caminho quando conhece a mulher de um amigo de infância (Ok-Vin Kim) e passa a conviver na família da mesma. Ela se torna o ponto de desequilíbrio de toda a trama e torna tudo mais interessante.
O filme é eletrizante! Cenas de extrema violência, marca do diretor por sua "trilogia da vingança", e com partes de enorme beleza. Mais o tom que predomina no filme é o de ironia. Park brinca com o gênero vampirístico, usa o velho misticismo (ok, eles morrem com o sol e bebem sangue) e muda alguns dogmas (Pera lá, o cara é um padre!), o produto final é fantástico, destaque á parte para o movimento de câmera do diretor, realmente impressionante. Vai por mim, você vai sentir asco, vai vibrar, rir bastante e virar o rosto várias vezes.

Cheio de ironia, vejo "Sede de Sangue" como um alento nos tempos de hoje, em que jovens conhecem a mítica de vampiros através de lixos "teen" como "Crepúsculo" e "Lua Nova". Park mostra o quanto cruel e divertido pode ser esse universo, sem apelar para romances água com açúcar e problemas da juventude.

Nota: 9,0

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